31 de julho de 2010
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01 de março de 2010 - O Direito Penal Internacional e a Justiça de Transição - SP

Data: 01 de março de 2010
Horário: das 08h45 às 17h00
Local: Salão Nobre da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da Universidade de São Paulo
Informações: (11) 3111-1040 ramal:131 ou curso@ibccrim.org.br
Inscrições: Gratuitas e Obrigatórias - VAGAS ESGOTADAS
Importante: Serão emitidos certificados aos participantes

VAGAS ESGOTADAS

Programação:

8h30: Abertura

9h: Palestra:

O Tribunal Penal Internacional e a proteção dos direitos humanos - Dra. Sylvia Steiner (Juíza do Tribunal Penal Internacional)
Presidente de Mesa: Profa. Dra. Maria Thereza Rocha de Assis Moura (Ministra do Superior Tribunal de Justiça e Profa. Dra. de Direito Processual Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo-USP)
Debatedora: Dra. Inês Virginia Prado Soares (Procuradora da República, Pós-doutoranda do Núcleo de Estudos de Violência da USP NEV/USP)

9h45: Debates

10h: Intervalo

10h15: Palestra:

O marco jurídico da Justiça de Transição - Prof. Dr. Kai Ambos (Georg-August, Universität Gottingen, Faculdade de Direito, Alemanha)
Presidente de Mesa: Prof. Dr. Antonio Scarance Fernandes (Prof. Titular de Direito Processual Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo-USP)
Debatedor: Prof. Dr. Paulo Sérgio Pinheiro (Membro da Comissão Inter-americana de Direitos Humanos/OEA)

11h: Debates

11h15: Palestra:

Diferentes mecanismos para a Justiça de Transição: Experiências de Haia - Prof. Dr. Nico Schrijver (Professor de Direito Internacional Público - Leiden University - Faculdade de Direito – Holanda)
Presidente de Mesa: José Rômulo Plácido Sales (Defensor Público-Geral Federal)
Debatedora: Dra. Luiza Cristina Fonseca Frischeisen (Procuradora-Chefe da Procuradoria Regional da República da 3ª Região)

12h: Debates

12h15: Almoço

14h Palestra:

A punição dos crimes contra a humanidade: o exemplo argentino - Prof. Dr. Daniel Pastor (Prof. Dr. de Direito Processual Penal da Universidade de Buenos Aires, Argentina) Presidente de Mesa: Dra. Gisela Elsner (Diretora da Fundação Konrad Adenauer)
Debatedora: Profa. Dra. Flávia Piovesan (Profa. Dra. Em Direito Constitucional e Direitos Humanos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC)

14h45 Debates

15:15 Mesa Redonda:

A Justiça de Transição no Brasil: obstáculos e perspectivas

Mediador: Caco Barcelos (Jornalista)

Participantes:

Dra. Gilda Pereira de Carvalho (Sub-Procuradora Geral da República – Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão)

Dra. Glenda Mezarobba (Cientista Política e Pesquisadora da Unicamp/SP)

Prof. Dr. Marcos Zilli (Juiz de Direito e Prof. Dr. de Direito Processual Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo-USP)

Dr. Belisário dos Santos Júnior (Advogado e Integrante da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos – CEMDP)

16:15 Lançamento do Concurso Nacional de Artigos sobre Direitos Humanos e Justiça de Transição – Prefeitura de Haia, Holanda

17:00 Encerramento

Coordenadores do Evento:
Dr. Marcos Zilli, Dra. Inês Virgínia Prado Soares, Dra. Sandra Akemi Kishi e Dra. Glenda Mezarobba

Realização:
Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo;
Centro Acadêmico XI de Agosto;
Fundação Konrad Adenauer;
IBCCRIM - Instituto Brasileiro de Ciências Criminais;
IEDC - Instituto Estudos Direito e Cidadania;
INEU – Instituto Nacional de Estudos sobre os Estados Unidos;

Apoio:
Associação dos Defensores Públicos da União;
Associação dos Juízes Federais;
Centro Alemão de Inovação;
Consulado Geral da Holanda;
Defensoria Publica da Uniao;
Núcleo de Estudos de Violência da USP;
Pricewaterhouse & Coopers,
Procuradoria Regional da República,
Editora Fórum.

Justificativa:

Embora o Brasil tenha assinado o Estatuto de Roma em 7 de fevereiro de 2000 e ratificado-o em 20 de junho de 2002, até o presente momento não o implementou em seu ordenamento.

É certo que o Ministério da Justiça nomeou, pela portaria 1.036, grupo de trabalho com a incumbência de elaborar texto de anteprojeto de lei para a tipificação dos crimes internacionais, bem como para regulamentação dos procedimentos de auxílio e cooperação judicial com o Tribunal Penal Internacional.

O texto final foi encaminhado para a Sub-Chefia de Assuntos Jurídicos da Presidência da República, tendo permanecido disponível para consulta pública pelo prazo de trinta dias. Em 14 de março de 2003, a Anistia Internacional encaminhou carta ao Exmo. Ministro da Justiça onde foram apresentados comentários sobre o anteprojeto.

Entretanto, no dia 10 de maio de 2004, a Secretaria Especial de Direitos Humanos nomeou novo grupo de trabalho para adequar o anteprojeto às observações feitas pela Casa Civil da Presidência da República. Desde então, não foram divulgadas notícias oficiais sobre o término de suas atividades.

Por suas características culturais, geográficas e históricas, o Brasil nunca deu a devida atenção às questões relacionadas com o Direito Penal Internacional. De colonização portuguesa e inserido em um continente, em sua maioria de origem espanhola, as relações internacionais estão focadas, primordialmente, em interesses comerciais.

Esse cenário, contudo, ainda que timidamente, tem sido modificado. Com efeito, a crescente globalização e a maior inserção do Brasil na arena internacional (figurando a participação nas forças de paz da ONU no Haiti o exemplo mais ilustrativo), tem provocado interessantes discussões no meio acadêmico com a maior conscientização das questões afetas ao Direito Penal Internacional.

O evento pretende, dessa forma, aprofundar estas discussões, disseminando a importância do Tribunal Penal Internacional e as questões mais controvertidas relacionadas com o Direito Penal Internacional. Mas, para além desses tópicos o evento objetiva tratar de temas que tocam diretamente o Brasil, quais sejam: a conformidade constitucional do Estatuto de Roma, o direito à memória, sob a perspectiva dos crimes cometidos durante a ditadura militar e a problemática relacionada com o extermínio das populações indígenas.

O seminário, a ser realizado no dia 01 de março de 2010, em comemoração ao início do ano letivo da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo – USP pretende discutir, em palestras e painéis, a correlação entre o Direito Penal Internacional e a Justiça de Transição, além do exame da importância destes temas para a consolidação dos valores do Estado de Direito, com especial enfoque no caso brasileiro.

Tem sido crescente o interesse no Brasil pela temática da Justiça de Transição, sobretudo quanto à constitucionalidade da Lei de Anistia e a sua aplicação aos responsáveis pelos crimes de tortura e de desaparecimento forçado de pessoas. Há, inclusive, um projeto do governo federal visando a criação de uma Comissão de Verdade, a exemplo do verificado em outros países, e que seria encarregada de apurar aquelas práticas delituosas durante o regime militar (1964-1985).

A Faculdade de Direito da USP tem uma longa tradição histórica e foi um dos símbolos do pensamento liberal e de resistência aos ideais autoritários. Dessa forma, um dos principais objetivos é o de conscientizar a nova geração de estudantes que não vivenciaram o regime ditatorial e que, portanto, não possuem uma dimensão dos fatos históricos e de suas conseqüências. Também pretende-se fazer do evento um importante marco político na luta em prol dos direitos humanos.

É nessa mesma linha que se pretende, igualmente, fazer uso de parte do espaço da Faculdade para uma exposição fotográfica relativa ao regime militar e que contará com o apoio da Secretaria Especial de Direitos Humanos do Governo Federal – SEDH, além da exibição de um documentário relativo ao mesmo período.

Ademais, visando um maior aprofundamento científico, pretende-se lançar, por ocasião do seminário, um concurso de artigos sobre Justiça de Transição e o Brasil nas categorias estudantes de graduação e de pós-graduação. Além da premiação, a ser anunciada ainda em 2010, os melhores trabalhos integrarão um livro que seria publicado juntamente com as exposições dos palestrantes e dos panelistas apresentadas no seminário.

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