30 de Abril de 2020

Entidades denunciam atuação da PM na Favela do Moinho, em SP, e pedem investigações

No dia 29 de abril, por volta das 11h, moradores da Favela do Moinho, na região central de São Paulo (SP), pediram apoio aos órgãos de direitos humanos sobre as violações que estavam sofrendo da Polícia Militar de São Paulo.

Os relatos dos moradores informam que há algumas semanas um mesmo grupo de policiais vem violentando e torturando pessoas da comunidade. Um exemplo dessas inúmeras violências foi a ação perpetrada na manhã do dia 29 de abril de 2020, em que policiais militares do 7º BAEP prenderam três moradores da comunidade acusando-os de tráfico de drogas. Moradores afirmam que não havia qualquer justificativa para as prisões. 

Todos foram conduzidos para o 77º Distrito Policial de Santa Cecília, havendo testemunhos de que um deles foi levado desacordado após incontáveis agressões.

Além disso, também há registros de uso de diversas bombas de efeito moral sendo jogadas na entrada da Favela do Moinho, inclusive em local onde havia crianças, mulheres grávidas e idosos. Imagens da operação registradas por moradores mostram a truculência da operação.

Frente a relatos gravíssimos, a Frente Estadual pelo Desencarceramento, o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais e a Iniciativa Negra por uma Nova Política de Drogas exigiram ao Ministério Público, Ouvidoria de Polícia e Defensoria Pública Estadual a apuração da ação policial e das denúncias relatadas, preservando identidades e oferecendo sigilo e segurança contra eventuais ameaças, bem como os devidos esclarecimentos sobre os fatos narrados e demais medidas cabíveis.

ATUALIZAÇÃO: os três jovens detidos ontem (29/04), Adriano, Bruno e Fabrício, seguem presos e hoje (30/04) haverá audiência de custódia emergencial, com acompanhamento da Defensoria Pública e da Ouvidoria das Polícias de São Paulo.

Moradores da Favela do Moinho pedem pela liberdade dos 3 jovens. As detenções seriam uma resposta da polícia à repercussão negativa das constantes operações feitas na comunidade, e há fortes riscos de serem imputados aos jovens flagrantes forjados.


Foto: Mídia Ninja/Jornalistas Livres